quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Outono



Outubro vai já quase no fim, e só agora começou a chover a sério. Por um lado toda a gente achava estranho que ainda não tivesse vindo, repetindo que 'é o tempo dela', mas por outro ninguém esconde que os dias de sol trazem muito mais vida à vida. Agora, após apenas uns pares de horas de chuva, já estamos fartos, e o chapéu de chuva pesa-nos mais do que se fossemos às compras e trouxessemos umas quantas sacas.
Oh, eu até gosto da chuva. Gosto da chuva quando estou na cama a ouvi-la, gosto da chuva quando, embrulhada na manta da avó, me sento à lareira, gosto da chuva quando estou do lado de dentro da janela a pensar em ti, e gosto ainda e também quando ela me obriga a abrir o chapéu, e tu te abraças a mim com o pretexto de não te molhares, ou mesmo admitindo nao ser pretexto, admito que é o juntar do bom necessário ao agradável.
A chuva faz parte.
Porém às vezes revolto-me com a maldita que insiste em cair, e me limita de dar passeios à beira-rio contigo, com o sol a descrever a nossa sombra, o nosso caminhar em sintonia, que nos impede de rebolar na relva agora molhada, que nos molha os bancos de jardim onde as nossas horas passam como minutos, tal e qual!
Mas sabes, hoje sonhei que gostava da chuva. muito simples. Estava numa casa de praia, esbelta e branca, acolhedora e bem aconchegante, com a lareira acesa e um cheiro natural à água salgada que, misturada com a doce da chuva, me trouxe a nostalgia do tempo frio de outono.
Tu estavas comigo. Sim, tu.
E embrulhados um no outro, mirámos infinitamente o bater forte das ondas em harmonia com o cair igualmente forte da chuva...
Sabes que mais? Se estiver contigo, estou bem.
É outono, vou partilhar contigo o meu guarda-chuva, vou dar-te beijinhos à chuva, vou aconchegar-me a ti quando tiver frio, e vou-te buscar aos meus pensamentos sempre que o tempo me entristeça.
É no início deste outono, que vou descobrindo que tu és o meu verão invencível*

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Passou tanto tempo. Eu ainda tinha um pingo de esperança, nunca morreu, mas no fundo eu já não esperava. Nunca desapareceste por completo dos meus dias, da minha cabeça, do meu pensar. Mas eu tinha de seguir em frente, tinha de te apagar, tinha de não pensar em ti, em nós, no que já havia passado e eu ainda tomava como meu. Mas eu não conseguia, não sei se por falta de vontade própria, se pela presença daquele pingo de esperança, mas eu não conseguia. Sentia-me mais perdida do que uma agulha num palheiro. Pouca coisa fazia sentido. Valorizava-me pouco. A vida era apenas uma mera sequência de dias.
E agora parece que foi tudo um pesadelo, porque acordo todos os dias e tu estás comigo outra vez, como nunca estiveste. Voltaste, mudaste tudo.
Para muitos é imcompreensível, inconcebível e até mesmo impossível. Mas para nós não. Para nós é possível e faz até todo o sentido. Tinha de ser assim, quando as coisas não acabam bem, é porque não tinham de acabar.
Tudo agora recomeçou com doses extra.
Doses extra de segurança, doses extra de ternura, doses extra de carinho, doses extra de amor, e acima de tudo, eu vou adquirindo a dose extra total de confiança suficiente.
Os tempos mudaram, os hábitos mudaram, a maneira de pensar mudou, nós mudámos, tu mudaste. E eu sinto-te diferente, sinto-te melhor, sinto-te mais meu, sinto-te e quero-te sempre.
Acabo até por orgulhar-me da tua mudança, naquilo em que te tornaste, por mim.
E não desvalorizando o que um dia senti, hoje o sentimento é bem mais forte, e sei que essa intensidade é mútua, e que todo o tempo, as barreiras, o sofrimento, as tempestades, as incertezas, só fortaleceram, só.
Não sei explicar bem porquê, mas não me consigo desligar de ti, e acredito em ti e no teu amor. Fazes-me sentir a tua razão, a tua verdadeira princesa.
Há quem lhe chame destino. Amo-te!

domingo, 9 de outubro de 2011


“Esperava por ti porque achava que podias ser o homem da minha vida. (hoje tenho a certeza.) E esperava por ti porque sei esperar, porque nos genes ou na aprendizagem da sabedoria mais íntima e preciosa, havia uma voz firme e incessante que me pedia para esperar por ti. E eu gostava de ouvir essa voz a embalar-me de noite antes de, tantas e tantas vezes, te encontrar nos meus sonhos, e a acalentar-me de manhã, quando um novo dia chegava e me fazia pensar o quão longa e inglória podia ser a minha espera. (hoje foi tudo menos inglória )

sábado, 30 de julho de 2011

Quarenta e três mil e duzentos

Um mês, trinta dias, 720 horas, 43.200 minutos. Parece tanto! Um mês resumido a uma eternidade pela qual nem demos por passar. Eu cá, acho que é por gostar de gostar de ti, assim como gosto, como adoro, como amo e tenho vindo a amar.
Esta data lembra-me um sonho, mas um sonho que ainda não tive... O sonho que será o futuro, o nosso futuro, partilhado por nós, desta vez conscientes de que o tempo e a idade pouco ou nada revelam. Revela sim a doçura do teu beijo, o teu peso no meu coração, a tua presença constante na minha memória, o adormecer contigo na cabeça, este amor que não tem idade, lugar ou hora exacta, mas que simplesmente é vivido por nós sem pressas, sem regras, porque o mais importante é que eu faça sempre parte de ti e tu de mim, como se os nossos corações se fundissem.
O bater dos nossos corações, é fruto de um sonho a dois, consequência da nossa total cumplicidade!
Fazes-me sentir coisas que não explico, mas que posso comparar a como se tivesse asas para tocar no céu, tocar o infinito, tocar o teu subconsciente, e ter a certeza de que todos os dias adormeço na tua memória. Tu dás-me essa certeza de uma forma tão forte como nunca antes havias conseguido.
O nosso amor é agora uma bonita pedra da vida, que se vai moldando a nós com a erosão do tempo e o passar dos dias, e se a cada dia nos aprendermos a amar um pouquinho mais por cada pormenor, iremos deixar nela uma marca doce, tal como o que há entre nós. E também um sentido de fortaleza, tal como uma pedra é forte, nós a deixaremos tal e qual, porque o somos também.
E forte, muito forte, é aquilo que me liga a ti, hoje. Amanhã será ainda mais. E depois ainda mais... serei capaz até de contar os segundos, em vez de meses ou anos, porque quanto mais tempo eu vir para trás, mais vou querer avançar contigo, e orgulhar-me do que soubemos construir.
Há coisas muito bonitas na vida, as mais bonitas são vindas do interior de cada um, com palavras simples, sinceras e com significado. E sabes o que também é muito bonito? O amor. E por mim, o nosso, vai deixar a forma de uma pedrinha do tempo perfeita*

quinta-feira, 28 de julho de 2011



Tenho saudade tua, meu amor.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Vivo uma felicidade estranha, de certo modo.
Parece impossível, eu já não esperava por isto, é bom demais. Pergunto-me à volta de para lá de muitas vezes ao longo do meu dia se estarei a sonhar. Esbofeteio-me até, num acto de tentar acordar, mas acho que esta é mesmo a minha realidade e tu voltaste a fazer parte dela, como nunca antes havias conseguido!
É uma sensação de pertença muito mais forte, um sentimento que se torna cada vez mais difícil de explicar. O tempo passou e parece que em vez de deixar tudo baço, veio esclarecer o sentido de tudo, trouxe certezas, muitas. Trouxe uma vontade de fazer com que o tempo passe a correr para que nem tenha um segundo para nos dar oportunidade de estarmos por mais do que dias separados. Não dá, sem ti não dá mais, morreria por dentro de vez se te visse outra face, sem ser aquela que me mostras agora, aquela que me faz acordar, viver, lutar a cada dia. E sufoco quando a cada segundo me dá uma vontade louca de te dizer o que significas, o que sempre significaste e o que eu sei que significarás sempre! Porque faltam-me as palavras, parecem todas tão pouco para tu poderes ter a noção do que és em mim. Às vezes torna-se complicado pensar que de tão tenra idade estas certezas todas podem parecer um simples conto de fadas, mas eu sei bem, sei bem que se quisermos, pode sê-lo, mas o nosso, o real.
Ainda me estou a habituar à ideia de que tudo aquilo por que passei, é agora em vão, e vejo-te de novo agora e sempre na minha vida, porque assim quiseste.
Eu sabia que um dia havias de dar valor, sem obrigações. Esperei calada, mas aceito-te agora de braços abertos e a gritar ao mundo que acredito mais do que ninguém, e só quero ser feliz de um jeito simples, amando-te pelos pormenores, sorrindo a cada dificuldade, vivendo por isto, por nós.

sábado, 18 de junho de 2011

Destino?

Às vezes acho que estou a sonhar, parece um sonho, igualzinho àqueles que me visitavam todas as noites e me acordavam a esperança. mas eram mesmo isso, sonhos, apenas sonhos.
Já havia assumido que te tinha perdido para sempre, aprendido a viver sem ti, a guardar tudo num baú de recordações, que todos os dias tinha vontade de abrir, mas sempre que te via se fechava, tão forte era a dor.
Mas desde sempre foi uma dor que não me fechou o coração. Nunca saíste. Não sei responder porquê, nunca forcei para que ficasses. Pelo contrário, só queria que saísses. Mas não, não conseguia, por muito que achasse que a porta estava aberta, chegava sempre à conclusão que não, o coração não te deixava nem por nada, como se estivesse à espera de alguma coisa, que eu, conscientemente, já nem punha mais hipótese.
Mas hoje continuo a lutar, posso estar sozinha nisto, mas continuo.
Eu acredito, e isso basta-me. E vou aguentar até não poder mais.
Mas vai correr tudo bem, eu sei, eu sinto, e quero-te muito.
Um dia alguém disse que "é tão bom morrer por amor e voltar a viver!", hoje eu sei e assino por baixo. É realmente bom, mesmo pensando que nunca voltaria a viver e que não só tu, mas também e até o próprio amor, tinha morrido para mim.
Hoje a cumplicidade é enorme, o carinho transborda, as certezas são muitas, são todas, e o futuro é nosso.
Ainda não acredito, mas o tempo encarregar-se-á disso

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Minha primeira perfeita!

E pronto. Mais uma etapa, mais um pulo, mais um passo, mais uma lágrima, mais uma emoção, e tudo isto? Forma mais uma estudante coimbrã orgulhosa!
Tradição que toca corações à tantos anos, pensar que desde pequena ouvia falar na Queima das Fitas e na Serenata, e ver agora que esperei todo este tempo e consegui chegar, sem recuos pelo caminho, à «minha» primeira Queima, à «minha» primeira Serenata.
Foi uma noite mágica, uma hora de emoção a cada minuto que passava, a cada segundo que o tom alterava a sua constante melodia, tão emocionante quanto todas as luzes que iluminaram a parte velha da nossa querida cidade dos estudantes. O silêncio de intervalo entre cada sinfonia, transpareceu o respeito que a capa negra bem traçada nos impõe, a responsabilidade que é usá-la, e estar ali, simplesmente a ouvir, e já a sentir uma saudade antecipada de quando tudo aquilo, tão único, daqui a uns anos for só lembrança.
Mas decerto será uma lembrança que nos fará sempre lembrar da primeira vez, que foi esta!
Não há palavras, apenas sentimentos. Sentimentos que se transparecem nos arrepios que tive ao ouvir tão célebres músicas, recheadas de significado, e que me confortaram o coração como se ele quisesse saltar cá para fora e mostrar o quanto estava realizado e feliz por mim.
É, estou a crescer, depressa até demais se calhar, e momentos como este, que nos fazem tremer e pensar nos que mais amamos num acto de nos questionar se estarão tão orgulhosos de nós como gostaríamos que estivessem, só nos fazem crescer ainda mais, mas em sabedoria, uma sabedoria que nos traz a consciência de saber o que queremos da vida, do partido que queremos tirar de uma vida académica que começa agora a fazer-se sentir tão intensamente!, fazem-nos mais seguros, e jogar a capa preta ao ar como se ela transportasse os nossos sonhos para os céus de Coimbra. É um orgulho diferente para cada um, mas tão igual para todos! E isso ninguém nos tira.
Para Coimbra não vai nada, nada, nada? TUDO!


sábado, 23 de abril de 2011

Divagações

Ontem deitei-me a chorar...
Nem sei se por bem ou por mal, mas aliviei e dormi bem. Chorei ao ver duas fotos iguais, com pessoas diferentes, ao ler duas mensagens iguais, vindas de pessoas diferentes, mas chorei apenas por uma, a pessoa que menos merecia que o fizesse por ela, aquela que me fez sofrer mais do que ninguém, e que me fez sentir mais sozinha, mesmo estando rodeada de gente.
Tu, tu que hoje já não significas nem metade do que um dia significaste, tu que te perdes cada dia mais por esse mundo tão complexo para os teus olhos de menino que se pensa um homem, tu que foste uma desilusão tamanha e que pensas sempre em ti primeiro, depois de tanto tempo, ainda me fazes molhar a almofada.
São lembranças, sabes? Suposições de como podia ser hoje se nada tivesse corrido mal, recordações de gestos que hoje fazem falta, sentimentos aos quais, agora, respondo sozinha.
Ainda te lembras de mim? Ainda te lembras das promessas? Ainda te lembras de nós?
Adorava saber.
Mas se hoje chorei, foi por eu, sim, me lembrar.
E se, ao lembrar, choro, ainda que com um sorriso, é porque ainda tens um lugar aqui, e que por muito que eu queira que outra pessoa o ocupe, é muito complicado. Mas vou deixar o tempo correr, os relógios não param, e eu só espero que estejas bem.
Amanhã marcar-se-á outro dia no calendário da vida, e pode ser que uma brisa de verão me traga um doce que preencha o lugar que vais deixando vago em mim, a pouco e pouco.

Cuida de ti, eu nunca me vou esquecer.

sábado, 19 de março de 2011

Pai

Será que cada vez que chamamos “pai”, temos a noção do que isso significa? Confesso que não. Às vezes chamamos por ele como se fosse outra pessoa qualquer, para pedir isto, reparar naquilo ou dizer simplesmente o que vamos fazer pelo hábito de dar satisfações. Achamos uma perfeita chatice quando eles nos proíbem disto e daquilo, um martírio ouvi-los quando levantam o tom de voz, achamos um exagero a forma como julgam o que fazemos, vemo-lo antiquado perante as repetidas reclamações dos nossos hábitos de hoje. E no fundo, se pensarmos bem, devíamos era ficar felizes por isso.
Porquê? Porque se o fazem é porque se preocupam, porque nos protegem acima de tudo e todos, porque temem por nos perderem, ou por nós, muito mais inocentes do que pensamos, nos perdermos neste mundo tão ingrato e cheio de caminhos sem luz ao fundo. Eles só querem que nos guiemos pela luz deles, pelo colo deles, por tudo o que eles querem que nós sejamos como os seus semelhantes. Se me perguntarem do nada em  quem me orgulho? Sem dúvida que respondo “do meu pai!”. Mas sem dúvida mesmo! E ponho-me a pensar que, se calhar, na maior parte das vezes não lhe consigo demonstrar isso, mas se vivo todos os dias um pouco mais descansada, é porque sei que todos os dias chego a casa e tenho lá o meu pai, se me acontecer alguma coisa, posso chamar o meu pai, e sei que ele vai fazer tudo por mim, até não poder mais! Mas o dia de hoje não é só dos pais presentes, há quem não o tenha. E eu? Eu não me imagino sem o meu, não mesmo. Sentiria falta dos beijos que me dá e que me picam a cara, dos abraços antes de dormir, da forma sábia como me responde às perguntas que lhe faço, de observar a maneira como ele encara a vida, da forma como se dá aos outros, e até dos ralhetes por vezes tão desnecessários mas que numa palavra ou noutra espelham sempre alguma razão de quem sabe bem mais da vida do que eu. Não consigo imaginar a dor que deve ser sentir falta disto tudo, de um porto tão seguro como o de um pai! O único homem que nos ama sempre!, o amor mais eterno que uma mulher pode receber. Sim, eterno! Porque mesmo que ele não esteja fisicamente, ele nunca se vai do coração, fica para sempre como o nosso anjo da guarda, e todas as noites nos brinda com o brilho das estrelas! E o que somos hoje? Devemo-lo a eles. É algo que fica sempre, o que eles nos ensinaram. É preciso muita força, um pai nunca nos deixa sem nada, e não há orgulho maior.


Se dei valor ao que tenho, foi hoje. Obrigada por tudo pai, só espero que tenhas tanto orgulho em mim como tenho em ti.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Um pingo

Já sentiste um pingo de liberdade, sabes o que é? Pensas que sabes, mas se calhar nunca o sentiste.
Eu já senti tanta vez, e definitivamente isso não implica necessariamente a distancia das pessoas, não!
É apenas uma gota de chuva na cara, é olhar o mar no seu infinito, é sentir a brisa, o vento, a entrar pelos pulmões dentro, é sentir que nada nos prende, nem mesmo o amor, é sentir os pés molhados à beira-rio, é sentir os nossos cabelos a serem levados pela aragem fria dos tempos, ou quente dos dias, é nunca nos sentirmos sozinhos, é olharmos para o mundo como se tudo tivesse sentido, é olhar para as outras pessoas e não dar importancia à maneira como olham, ao que dizem, ao que comentam, e sorrir para elas assim mesmo, não é fazer tudo o que queremos, é fazer tudo o que nos faça sentir bem a nós e aos outros, é viver!
Se eu pudesse fugia, juro! Preciso da liberdade de saber que estás longe e que posso virar cada esquina sem medo. Iria ser tão feliz de cabeça leve, de pensamentos transformados em apenas sonhos sem preocupações, num mundo em que todos seríamos iguais e todos cantaríamos a mesma canção! Num sussurro diria que te levaria comigo para uma ilha deserta e antes pôr-te-ia nos cereais do pequeno-almoço uma boa poção de 'amor incondicional', e voaríamos os dois a descobrir uma liberdade feliz como dois pássaros à descoberta de uma coisa a que um dia chamaram de mundo.


A liberdade pode ser tanta coisa, mas por agora contento-me com os meus pés assentes na terra e com a certeza de que a minha liberdade condicionada me vai fazendo crescer cada vez mais, e que não me impede de dançar à chuva, de olhar o céu durante longos minutos e contar as estrelas com um sorriso livre

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Fraca

Estou farta de falar no mesmo, estou farta de pensar, de sofrer pelo mesmo! E é mesmo disso que precisava! De alguém que me pusesse completamente à vontade para eu dizer tudo, falta-me falar, falta-me gritar ao mundo e obter uma respostazinha que seja do que fazer. Porque para quem já me ouve há tempos, a resposta é óbvia, «segue». Mas e se um dia eu olhar para trás e questionar-me "e se..."?. Desculpem, sei que me ouvem sempre que eu já não suporto a pressão das palavras, que só me querem bem, mas eu preciso de alguém alheio, alguém que olhe para mim, para a minha história como quem compreende e, acima de tudo, analisa cada pormenor e o compara com a parte do meu coração que não sei onde pára. Mas essa pessoa não existe, não é verdade? Só eu me posso conhecer e avaliar a mim própria, e acabar com isto. Dou em doida.
Se até eu já estou tão farta de estar sempre mal pelos mesmos motivos, eu imagino aos que me ouvem, desde o primeiro dia! Então eu já evito falar, e quando não consigo resistir e falo, falo, falo, sinto que já não sou tão compreendida, mas eu percebo. Juro que tento a cada dia não vos importunar mais e tentar seguir com isto sozinha, mas temo afastar-me.
E é isso que também faz com que este escuro que me persegue, tarde em clarear. E sim, faz-me ter ainda mais medo, de tudooo! Só não tenho medo do escuro - às vezes - e da trovoada, porque de resto tudo me assusta, as pessoas assustam-me, o mundo assusta-me, a minha vida assusta-me e o futuro então, apavora-me. Tudo é confuso na minha cabeça, mas bem claro ao mesmo tempo, e é essa clareza que me faz sentir frágil, que no fundo é o que sou, frágil e fraca.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Falta

Lembro-me do teu sorriso e do teu olhar como ninguém, arrisco dizer. É por eu te conhecer assim tão insolitamente e tão à minha e nossa antiga mas nunca esquecida maneira, que continuas tão presente. Por muito que alguém queira que o negue com todas as minhas forças ou que até pensem que já não penso.
Mas só eu sei! Só eu sei o quanto penso no teu sorriso tão à menino apaixonado como de maroto, no teu toque carinhoso, nas tuas palavras que caíam em mim como mel, tão doces que se petrificam como torrões de açúcar que uso para adoçar o coração das pessoas quem me vêm falar mal de ti. Da maneira sempre correcta como nos entendíamos perante os mais complicados problemas!, das cartas que guardo numa caixinha negra, tal e qual a cor do rumo que o nosso destino tomou. Do quanto cantávamos!, "hoje eu sei, eu te amei, no vento de um temporal", de quando me levantava cedo por ti em plenas férias e fazia-te fazê-lo também, coisa que eu sabia que era um grande sacrifício para ti, logo, só por algo muito forte o farias!, e isso tranquilizava-me. De quando me falaste do teu grande sonho, e até confessavas que adormecias mais vezes a pensar nele do que 'na tua princesa', e era essa a honestidade que sempre tínhamos e que tu desde sempre identificaste no brilho do meu olhar. E então?
Então eu tenho saudades, tenho saudades de como me fazias feliz, de como só tu me importavas, de como ultrapassava e punha para trás das costas tudo o que me diziam porque te sentia eterno!, dos teus carinhos, da tua maneira, da tua mão na minha. Hoje?
Hoje sinto que sou obrigada a deixar-me ir pelo que os outros dizem e passar por ti com uma indiferença que não sinto e um desprezo que não é meu, mas que me aperta a garganta e faz-me engolir em seco as palavras que não podem sair porque te puseram um rótulo de que não mereces nada!, para eu ler e não cair de novo. Mas ninguém te conheceu como eu conheci, ninguém estava dentro do meu coração quando ele só tinha espaço para ti, e só eu sei o quanto me fazes falta, o quanto tenho saudades tuas, o quanto admiro a pessoa boa que sei que tens aí dentro, o quanto espero que sejas feliz mesmo sem mim, o quanto influencias o meu coração quando olho para outra face, quando admiro outra boca, o quanto te desejo, o quanto imagino um futuro sem ti ao olhar para um par de mãos dadas, o quanto odeio não conseguir odiar-te por mais que eu tente, ou por menos que tu faças.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Vinte

Acordo com a noite ainda no fim, com o céu ainda escuro, mas para mim já é de manhã.
Fico contente por ser a última semana, mas triste porque a chuva cai e eu não esperava por ela, e porque vou ter frequência a psicologia, minha tão querida mas difícil cadeira de psicologia.
Já nem me apetece vestir aquele vestido, aquelas botas e arranjar o cabelo. Oh, preferia ficar na cama, a sonhar que teria um 20 na maldita frequência e que, assim, seria motivo de orgulho para alguém. Mas, de repente, a minha mãe acende-me a luz do quarto e acorda-me com um sussurro de preocupação, e diz-me que sim, são 20. São 20 minutos depois da hora! Não estava a começar bem.
Calcei as sapatilhas e por cima das pernas de ganga, vesti um casaco, quentinho, que nem nunca levei para a escola porque "não se usa muito" , mas que me aconchegou a alma, e, nessa manhã, isso bastou-me.
Com a bandolete penteei o cabelo, num acto de disfarçar a pouca preocupação em arranjá-lo, e saí.
Já não chovia, que raiva! Afinal podia ter usado o vestido, calçado as botas e... bem, se calhar isso não importa mesmo, não é? Tenho a alma quente e consegui apanhar o maldito autocarro madrugador,
deve chegar.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Estrelinha*

Há dias, tentava convencer pequenos meninos, ainda com a minha fraca sabedoria e experiência de vida, de que todos temos estrelinhas na terra, e não só no céu.
Explicava-lhes que temos sempre alguém que olha mais por nós, que se preocupa mais connosco e quem tenha as palavras mais certeiras, independentemente do problema que nos perturbe.
Na altura, quis parecer o mais credível possível e isso fez-me olhar para dentro de mim e do meu próprio mundo.
Depois daquele momento a tentar dar um pouco da minha experiência à vida de tão precoces mentes, analisei então a minha própria vida.
Dia após dia, eu vi, eu tenho uma estrelinha!
Aliás, ela sempre foi a minha estrelinha, a vida todaaa. Desde bem pequenina que sempre senti que ela brilhava de maneira especial para mim e sem a sua luz, até hoje, não vivo, nunca vivi.
É das pessoas que mais amo, senão a que mais amo mesmo. E agora, analisando bem, é a minha estrelinha que mais perto está de perder a sua luz. E, por isso, vou guardá-la o mais preciosamente num cantinho do coração e tratá-la tão bem, mas tão bem, até ela se tornar no meu anjinho do céu, onde eu sei que ela me continuará a guiar e a proteger, para sempre! Porque foi ela que sempre me ouviu, que sempre me aconselhou, a que mais me viu chorar, a que sempre fez tudo por mim! E que sei que sempre fará, até não poder mais.
Juro que depois de analisar isto me senti mais segura, e a cada dia que passa descubro que tenho mais uma estrelinha na minha vida. E todos temos!, é so estar atento, e dar-lhe valor.
É incrível como nunca estamos sozinhos. Amo-te sempre avó.

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