Outubro vai já quase no fim, e só agora começou a chover a sério. Por um lado toda a gente achava estranho que ainda não tivesse vindo, repetindo que 'é o tempo dela', mas por outro ninguém esconde que os dias de sol trazem muito mais vida à vida. Agora, após apenas uns pares de horas de chuva, já estamos fartos, e o chapéu de chuva pesa-nos mais do que se fossemos às compras e trouxessemos umas quantas sacas.
Oh, eu até gosto da chuva. Gosto da chuva quando estou na cama a ouvi-la, gosto da chuva quando, embrulhada na manta da avó, me sento à lareira, gosto da chuva quando estou do lado de dentro da janela a pensar em ti, e gosto ainda e também quando ela me obriga a abrir o chapéu, e tu te abraças a mim com o pretexto de não te molhares, ou mesmo admitindo nao ser pretexto, admito que é o juntar do bom necessário ao agradável.
A chuva faz parte.
Porém às vezes revolto-me com a maldita que insiste em cair, e me limita de dar passeios à beira-rio contigo, com o sol a descrever a nossa sombra, o nosso caminhar em sintonia, que nos impede de rebolar na relva agora molhada, que nos molha os bancos de jardim onde as nossas horas passam como minutos, tal e qual!
Mas sabes, hoje sonhei que gostava da chuva. muito simples. Estava numa casa de praia, esbelta e branca, acolhedora e bem aconchegante, com a lareira acesa e um cheiro natural à água salgada que, misturada com a doce da chuva, me trouxe a nostalgia do tempo frio de outono.
Tu estavas comigo. Sim, tu.
E embrulhados um no outro, mirámos infinitamente o bater forte das ondas em harmonia com o cair igualmente forte da chuva...
Sabes que mais? Se estiver contigo, estou bem.
É outono, vou partilhar contigo o meu guarda-chuva, vou dar-te beijinhos à chuva, vou aconchegar-me a ti quando tiver frio, e vou-te buscar aos meus pensamentos sempre que o tempo me entristeça.
É no início deste outono, que vou descobrindo que tu és o meu verão invencível*

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