sábado, 19 de março de 2011

Pai

Será que cada vez que chamamos “pai”, temos a noção do que isso significa? Confesso que não. Às vezes chamamos por ele como se fosse outra pessoa qualquer, para pedir isto, reparar naquilo ou dizer simplesmente o que vamos fazer pelo hábito de dar satisfações. Achamos uma perfeita chatice quando eles nos proíbem disto e daquilo, um martírio ouvi-los quando levantam o tom de voz, achamos um exagero a forma como julgam o que fazemos, vemo-lo antiquado perante as repetidas reclamações dos nossos hábitos de hoje. E no fundo, se pensarmos bem, devíamos era ficar felizes por isso.
Porquê? Porque se o fazem é porque se preocupam, porque nos protegem acima de tudo e todos, porque temem por nos perderem, ou por nós, muito mais inocentes do que pensamos, nos perdermos neste mundo tão ingrato e cheio de caminhos sem luz ao fundo. Eles só querem que nos guiemos pela luz deles, pelo colo deles, por tudo o que eles querem que nós sejamos como os seus semelhantes. Se me perguntarem do nada em  quem me orgulho? Sem dúvida que respondo “do meu pai!”. Mas sem dúvida mesmo! E ponho-me a pensar que, se calhar, na maior parte das vezes não lhe consigo demonstrar isso, mas se vivo todos os dias um pouco mais descansada, é porque sei que todos os dias chego a casa e tenho lá o meu pai, se me acontecer alguma coisa, posso chamar o meu pai, e sei que ele vai fazer tudo por mim, até não poder mais! Mas o dia de hoje não é só dos pais presentes, há quem não o tenha. E eu? Eu não me imagino sem o meu, não mesmo. Sentiria falta dos beijos que me dá e que me picam a cara, dos abraços antes de dormir, da forma sábia como me responde às perguntas que lhe faço, de observar a maneira como ele encara a vida, da forma como se dá aos outros, e até dos ralhetes por vezes tão desnecessários mas que numa palavra ou noutra espelham sempre alguma razão de quem sabe bem mais da vida do que eu. Não consigo imaginar a dor que deve ser sentir falta disto tudo, de um porto tão seguro como o de um pai! O único homem que nos ama sempre!, o amor mais eterno que uma mulher pode receber. Sim, eterno! Porque mesmo que ele não esteja fisicamente, ele nunca se vai do coração, fica para sempre como o nosso anjo da guarda, e todas as noites nos brinda com o brilho das estrelas! E o que somos hoje? Devemo-lo a eles. É algo que fica sempre, o que eles nos ensinaram. É preciso muita força, um pai nunca nos deixa sem nada, e não há orgulho maior.


Se dei valor ao que tenho, foi hoje. Obrigada por tudo pai, só espero que tenhas tanto orgulho em mim como tenho em ti.

1 comentário:

Anónimo disse...

Um pai que tem uma filha assim, creio que se deve sentir a pessoa mais feliz à face da terra.
Abraço para o pai, beijinho para a filha!

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