segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Tenho saudades.
Saudades de quando, por esta altura, andava numa azáfama com as aulas, os trabalhos, as frequências, os horários, o ter de apanhar autocarros e mais camionetas, o ter de arranjar tempo para estudar, ajudar em casa e tempo para mim ao mesmo tempo.
Olho pelo canto da janela e vejo o tempo cinzento lá fora, mas só me apetecia voltar atrás e, mesmo com o tempo pouco sorridente, sair de casa e ir para as aulas, estar com pessoas todos os dias e partilhar o quotidiano com tantas outras.
Tenho saudades até dos professores mais chatos, das situações mais stressantes ou das pessoas mais fatigantes. Mas tenho mesmo saudades dos bons momentos, das folhas inteiras de conversas a meio das aulas, do convívio, dos trabalhos de grupo, dos cafés daquela máquina, das mesas daquele bar e até do silêncio daquela biblioteca.
E quando acabavam as aulas? Podia estar a chover 'a potes', mas eu logo corria para o Centro Comercial, mesmo que sem chapéu, porque sabia que ao chegar lá dentro, tu ias estar à minha espera com um sorriso quente. E aí eu perdia a noção se estava a chover ou a fazer sol. Porque era tão boa a sensação de chegar ao fim do dia e ter a tua companhia, o teu conforto, o teu 'ouvir-me'. Apanhávamos um autocarro dali para a outra paragem, e depois surgia o dilema 'Vamos a que horas?', 'Decide tu', 'Não, decide tu'. E o que um decidia, para o outro estava sempre bem. Se não nos apetecesse ir para casa, apanhávamos a última camioneta. Se até tivéssemos coisas para fazer, pedíamos desculpa mutuamente e iamos mais cedo. Mas eram dias recheados, sem dúvida.
Dias que agora são bem mais vazios e sem certezas. E, por isso, morro de saudades da sensação de entrar naquele Centro Comercial ao fim do dia.
É duro ver o tempo a passar. É duro não poder voltar a viver nada do que já passou.
Hoje apoderou-se de mim uma nostalgia.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013


























Fazer anos é sempre algo muito estranho, é sempre um misto de bom e de mau.
Sempre me assustou crescer, mas é bom sentir que mais um ano passou, mais um ano vivi. No entanto, o que passou não se pode mudar nem tão pouco voltar a viver, e isso provoca uma certa sensação de perda.
Mas este ano, algo me fez crer que apenas devemos dar valor a quem nesse mesmo dia temos connosco, porque são as pessoas que fazem os momentos, e são eles que nos fazem sentir vivos. Deixei a tendência de olhar para trás e para o que já passou, porque, precisamente, já passou e já não há nada que se possa fazer. Vivo, então e agora, numa tentativa de viver cada dia como um só, sem pensar no anterior ou no seguinte, tendo 18 ou 21 anos. A idade está no espírito com que se vive, e eu quero viver consoante o meu íntimo mandar, não como os estereótipos da idade o demandam. Porque a vida deve ser muito mais do que aparências ou do que fazer o que é suposto porque se tem aquela idade ou aquele estatuto. Chega de pensar que tenho de envelhecer e amadurecer à força, a idade é só um número.
E eu tive um dia tão cheio de amor, carinho e amizade, que só tenho de agradecer a quem o tornou assim!
É o terceiro aniversário que passo com aquele que definitivamente me dá todas as razões para continuar, e o principal agradecimento vai para ele!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Nos últimos dias, as manhãs acordam cinzentas e com um misto de tristeza e melancolia à mistura.
As circunstâncias da vida também não ajudam, e parece que nada funciona como fonte de alegria. Há aquela tendência de culpar o tempo pela falta de humor que carregamos, e insistimos em odiar a chuva como se dela não precisássemos para viver. É um tempo chato, sim, é essa a palavra.
Mas... E se invertêssemos tudo isto? Pensar em algo que nos faça bem, nos faça sentir vivos, nos faça perder a noção do tempo, do espaço. Não será mais fácil? As lamentações não nos levam a lado nenhum nem mudam coisa alguma.
Eu escolhi usar o amor. O amor, para me fazer esquecer que a chuva é chata, e para me lembrar que podemos brincar debaixo dela, para me fazer esquecer da tristeza que ela traz consigo, e para me lembrar que sabe tão bem estar junto de quem se gosta a ouvi-la cair, para me fazer esquecer do quanto aborrece carregar um chapéu de chuva, e para me lembrar de me esquecer dele em casa, fazendo disso um pretexto para me abrigar no daquele a quem eu chamo de meu amor, para me fazer esquecer de culpar a chuva por algum mau sentimento, e para me lembrar que o amor torna tudo mais bonito e nos mostra o lado mais doce de tudo.
E do lado de dentro da janela, eu sei que ver o céu cinzento pode não ser a paisagem mais desejada, mas se de repente eu vir aquele que para mim representa o amor, sim, esse sentimento tão cheio em si próprio, do lado de fora, mesmo sem o meu chapéu de chuva, eu abriria a porta num ápice e correria por entre as gotas de água, ergueria até a face ao céu para sentir o sabor da chuva naquele momento, porque independentemente do resto, eu só o quereria a ele, sem pensar em mais nada. O esquecer em que estação estamos. E se saírmos, traz chapéu! E se nos molharmos, tanto faz. É outra coisa

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