Hoje. Mais um dia em busca de razões, porquês, explicações por sinal (…) Pela primeira vez à tua frente, quase a molhar-me nos teus salgados gritos de liberdade, tentei perguntar-te se sabias porquê. Mas quando olhei no teu horizonte, eu vi que qualquer resposta vai muito além de uma simples pergunta.
Juro que, ao ver-me sozinha, ainda abri a minha boca para perguntar “ ó mar, porquê ? ”. Mas tu apenas me brindaste com uma onda que quase me atingia, mandando a tua suave brisa que me bateu na cara como que a dizer-me que a minha pergunta tinha sido escutada.
Soube bem e, ao mesmo tempo, fez-me ficar a olhar o teu azul profundo durante longos minutos, voltando a questionar-me sobre o destino, o meu destino traiçoeiro.
Uma parte de mim pergunta “ para quê ?”. Sim, eu já te perdi, e agora para sempre! Porque não há perdão que apague o que já vivi e o que vivo, agora. És um caso perdido e, apesar de o sentimento não desaparecer vou ter, obrigatoriamente, de aprender a viver sem ti. Outra parte de mim diz “ sei que não devia, mas o sentimento permanece, é o mesmo “. E é essa parte que me traz todas as recordações, lembranças, palavras, momentos, quando olho para o azul do céu e para o bater das ondas que me trazem de novo o cheiro daquele nosso verão! Aparece uma espécie de esperança, no interior do pensamento, onde tudo parece possível de resolver. No entanto, tenho quase a certeza que se ouvisses isto agora, recusarias as palavras, transformando-nos em nada, levando-me necessariamente a esquecer! Mas o tempo parece que não te leva de mim (…) As horas, despedem-se devagar, vão-se afastando de ficar e aproximam-se de morrer.
Porém, todo este ambiente! O mar, a praia, tudo o que fomos passa agora por mim e pelo meu pensamento (…) É um pedaço da nossa vida que ainda quer sobreviver.
Enquanto tudo isto que sinto durar, por mais que a força não queira, seremos sempre dois a decidir.
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