Receio que a minha vida mude por tudo o que me fizeste e eu seja escrava do passado, preocupando-me apenas em ser mais forte que isso, a cada dia.
Procuro passar por cima de tudo, imaginando um mundo em que só eu e o meu futuro importamos e o passado não é minimamente relevante. E eu até consigo viver nesse mundo, por momentos (…) Por outros, sinto que não voltarei a amar e sinto-me uma inútil, uma incapaz, e se não reunir forças suficientes, sinto medo de pensar em acabar com a minha própria vida, e aí sim, ter forças para isso.
É uma interrogação constante que paira na minha cabeça, quando me lembro que te perdi para sempre e que, por muito que o meu coração te queira recuperar, a lógica da vida não o permite.
Agora vejo que a dor interior pode custar muito mais a passar. Pois é de nós que depende a capacidade de a cicatrizar, de modo a esquecê-la. E só temos uma única ajuda, o tempo. Só ele pode levar consigo a mágoa de agora. Pode vir alguém com alguma experiência que nos queira alertar para a vida, mas nada do que alguém possa dizer apagará a dor. Podem dar-nos algum conforto e companhia, agora curar, esquecer? Não, isso só nós e o tempo que nos leva.
Porque só nós sentimos e só nós sabemos a forma como amámos e continuamos a amar, mesmo não devendo.
Sem comentários:
Enviar um comentário