quinta-feira, 4 de março de 2010

Foram meros sítios


Passei agora por todos os sítios em que, juntos, fomos um só.
E tudo me pareceu estranho.
Pensei que com toda a raiva que sinto, nem sequer me ocorresse lembrar-me de ti ao passar. Mas só eu sei o que senti ao ver tudo de novo, agora, extremamente vazio. Porém, transmitiu-me exactamente a mesma magia que sentia quando estava contigo. E isso fez-me sentir demasiadamente a tua falta.
Falta dos teus carinhos, de tudo o que ali dissemos, fizemos ou até prometemos. Falta de ti e de nós.
São sítios que, mais do que qualquer coisa, marcaram a nossa relação, tudo o que tivemos e que parecia fazer todo o sentido. do mais verdadeiro, ao mais eterno.
Ainda me lembro do sabor dos teus lábios, do brilho dos teus olhos e da tua voz no meu ouvido. E do som da água ali a bater, e das luzes da cidade reflectidas nela, e da corrente do rio que parecia querer correr mais do que o tempo. Tempo, tempo esse que já passou e que levou consigo tudo isto de que agora falo com saudade, tristeza, e pena de mim.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Porquê?


Porquê? Haverá explicação? Sim, porque explicações foi coisa a que nunca tive direito de ti. Se agi como agi contigo, foi pelo meu sentimento! Mas certezas, certezas eu só tinha uma. A de que te amava, incondicionalmente! E tu, tu encantaste-me com as tuas palavras bonitas e falsas, com o teu olhar fixo mas nada sincero, com os teus beijos sentidos mas banais, com as tuas conversas promissoras mas no fundo sem fundamento, e com tudo o que me sussurravas ao ouvido talvez para só eu saber e assim, só eu sentir o verdadeiro sabor da posterior mágoa. Essa mágoa agora real, dura, forte e sem precedentes. Inigualável. Tenho medo do mundo lá fora, medo de ficar presa à tua memória para sempre, medo de te ver vivo e feliz e ter vontade de além de triste, estar morta.
Receio que a minha vida mude por tudo o que me fizeste e eu seja escrava do passado, preocupando-me apenas em ser mais forte que isso, a cada dia.
Procuro passar por cima de tudo, imaginando um mundo em que só eu e o meu futuro importamos e o passado não é minimamente relevante. E eu até consigo viver nesse mundo, por momentos (…) Por outros, sinto que não voltarei a amar e sinto-me uma inútil, uma incapaz, e se não reunir forças suficientes, sinto medo de pensar em acabar com a minha própria vida, e aí sim, ter forças para isso.
É uma interrogação constante que paira na minha cabeça, quando me lembro que te perdi para sempre e que, por muito que o meu coração te queira recuperar, a lógica da vida não o permite.
Agora vejo que a dor interior pode custar muito mais a passar. Pois é de nós que depende a capacidade de a cicatrizar, de modo a esquecê-la. E só temos uma única ajuda, o tempo. Só ele pode levar consigo a mágoa de agora. Pode vir alguém com alguma experiência que nos queira alertar para a vida, mas nada do que alguém possa dizer apagará a dor. Podem dar-nos algum conforto e companhia, agora curar, esquecer? Não, isso só nós e o tempo que nos leva.
Porque só nós sentimos e só nós sabemos a forma como amámos e continuamos a amar, mesmo não devendo.

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