segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Vinte

Acordo com a noite ainda no fim, com o céu ainda escuro, mas para mim já é de manhã.
Fico contente por ser a última semana, mas triste porque a chuva cai e eu não esperava por ela, e porque vou ter frequência a psicologia, minha tão querida mas difícil cadeira de psicologia.
Já nem me apetece vestir aquele vestido, aquelas botas e arranjar o cabelo. Oh, preferia ficar na cama, a sonhar que teria um 20 na maldita frequência e que, assim, seria motivo de orgulho para alguém. Mas, de repente, a minha mãe acende-me a luz do quarto e acorda-me com um sussurro de preocupação, e diz-me que sim, são 20. São 20 minutos depois da hora! Não estava a começar bem.
Calcei as sapatilhas e por cima das pernas de ganga, vesti um casaco, quentinho, que nem nunca levei para a escola porque "não se usa muito" , mas que me aconchegou a alma, e, nessa manhã, isso bastou-me.
Com a bandolete penteei o cabelo, num acto de disfarçar a pouca preocupação em arranjá-lo, e saí.
Já não chovia, que raiva! Afinal podia ter usado o vestido, calçado as botas e... bem, se calhar isso não importa mesmo, não é? Tenho a alma quente e consegui apanhar o maldito autocarro madrugador,
deve chegar.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Estrelinha*

Há dias, tentava convencer pequenos meninos, ainda com a minha fraca sabedoria e experiência de vida, de que todos temos estrelinhas na terra, e não só no céu.
Explicava-lhes que temos sempre alguém que olha mais por nós, que se preocupa mais connosco e quem tenha as palavras mais certeiras, independentemente do problema que nos perturbe.
Na altura, quis parecer o mais credível possível e isso fez-me olhar para dentro de mim e do meu próprio mundo.
Depois daquele momento a tentar dar um pouco da minha experiência à vida de tão precoces mentes, analisei então a minha própria vida.
Dia após dia, eu vi, eu tenho uma estrelinha!
Aliás, ela sempre foi a minha estrelinha, a vida todaaa. Desde bem pequenina que sempre senti que ela brilhava de maneira especial para mim e sem a sua luz, até hoje, não vivo, nunca vivi.
É das pessoas que mais amo, senão a que mais amo mesmo. E agora, analisando bem, é a minha estrelinha que mais perto está de perder a sua luz. E, por isso, vou guardá-la o mais preciosamente num cantinho do coração e tratá-la tão bem, mas tão bem, até ela se tornar no meu anjinho do céu, onde eu sei que ela me continuará a guiar e a proteger, para sempre! Porque foi ela que sempre me ouviu, que sempre me aconselhou, a que mais me viu chorar, a que sempre fez tudo por mim! E que sei que sempre fará, até não poder mais.
Juro que depois de analisar isto me senti mais segura, e a cada dia que passa descubro que tenho mais uma estrelinha na minha vida. E todos temos!, é so estar atento, e dar-lhe valor.
É incrível como nunca estamos sozinhos. Amo-te sempre avó.

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